Massagem corporal: a prática de saúde que ainda tratamos como luxo
- Mánela Cinco das Três®

- há 3 dias
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No que diz respeito aos benefícios reais de um gesto antigo e à frequência com que faz verdadeiramente a diferença, há ainda em Portugal, e não só, uma ideia residual de que receber massagens é um capricho ocasional, uma indulgência associada a fins de semana de spa ou a presentes de aniversário. No entanto, a literatura científica, a fisiologia e a experiência clínica de quem trabalha nesta área dizem outra coisa: a massagem corporal regular é, de facto, uma das práticas de saúde mais simples, antigas e eficazes que conhecemos.
Talvez tenha chegado o momento de a tratarmos como tal.
O que a massagem realmente faz
A massagem corporal, quando praticada por profissionais qualificados e com método, atua simultaneamente em vários planos. Não se trata apenas de relaxamento, mas sim de fisiologia aplicada.
A nível circulatório, a massagem estimula o retorno venoso e ajuda o sistema linfático a drenar os líquidos retidos, reduzindo a sensação de pernas pesadas, edemas e inchaço. O efeito é particularmente notório para quem passa muitas horas sentado ou em pé.
No plano muscular, a massagem alivia as tensões acumuladas, desfaz os nós e as aderências do tecido e devolve a mobilidade a zonas que o trabalho moderno, sobretudo o de escritório, vai progressivamente endurecendo. Pescoço, ombros, zona lombar e planta dos pés são as zonas mais afetadas, e quase todas respondem bem à massagem regular.
A nível nervoso e hormonal, a massagem reduz os níveis de cortisol, a hormona do stress, e estimula a libertação de endorfinas e serotonina. Daí a sensação de leveza, de pausa e de descanso real que perdura por várias horas após a sessão.
Por fim, no plano emocional, há uma dimensão que se subestima e que importa nomear: a massagem é um momento de contacto humano cuidado, atento e dedicado apenas a uma pessoa. Numa era de ecrãs e de pressa, este simples gesto tem um valor que já não é apenas físico.

Diferentes tipos, diferentes propósitos
É conveniente distinguir, pois nem todas as massagens têm o mesmo objetivo.
A massagem de relaxamento é a mais procurada. É a mais procurada. Caracteriza-se por um ritmo lento, uma pressão suave e um foco na sensação de repouso. É indicada para stress generalizado, sobrecarga mental e dificuldade em relaxar.
Massagem terapêutica. Mais profunda, com pressão dirigida a zonas de tensão específica. É indicada para dores musculares, contraturas e posturas viciadas.
Massagem drenante (drenagem linfática). Inclui movimentos suaves e rítmicos em direção ao sistema linfático. É indicada para a retenção de líquidos, pernas pesadas, recuperação pós-operatória ou pós-parto e como apoio em planos de remodelação corporal.
Massagem com pedras quentes. Combina a manipulação manual com a aplicação de pedras vulcânicas aquecidas. O calor ajuda a relaxar profundamente a musculatura e a potenciar o efeito relaxante.
Massagem desportiva. Pensada para quem treina regularmente. Promove a recuperação muscular, a prevenção de lesões e o rendimento físico.
Cada uma destas modalidades responde a uma necessidade específica. Daí a importância de uma boa avaliação inicial para receber a massagem certa e não apenas uma massagem qualquer.
Com que frequência faz diferença
Esta é a pergunta que mais nos fazem. A resposta honesta depende de cada pessoa, da sua atividade, do seu nível de stress e dos seus objetivos. No entanto, há orientações gerais que se podem partilhar.
Para manutenção e bem-estar gerais, uma sessão de três em quatro semanas é suficiente para a maioria das pessoas sentir benefícios consistentes.
Em caso de tensão específica ou dor muscular, sessões mais próximas, semanais ou quinzenais, durante quatro a seis semanas, geralmente resolvem o problema.
Para a drenagem linfática, a retenção de líquidos ou os planos corporais, são necessários protocolos mais frequentes: duas a três sessões por semana, durante um período definido.
Em qualquer caso, a regra é simples: massagens muito espaçadas proporcionam um prazer momentâneo, ao passo que massagens regulares promovem uma saúde duradoura.

O que esperar de uma massagem profissional?
Idealmente, uma sessão profissional começa com uma breve conversa sobre o que sente, o que procura e se há contraindicações a respeitar. Depois, é necessário um ambiente cuidado, com luz suave, temperatura agradável, silêncio ou música discreta, materiais adequados e, sobretudo, mãos experientes que saibam o que fazem e porquê.
A massagem não deve ser dolorosa. Pode haver momentos de pressão mais intensa, mas sempre dentro do limite do conforto. Sair de uma massagem com uma sensação de leveza, de calor agradável e de musculatura solta, e não com dor, é o sinal de que o trabalho foi bem feito.
Verdito
A massagem regular é talvez um dos gestos de autocuidado mais discretos e eficazes que pode adotar na vida adulta. Não substitui o exercício físico, uma alimentação cuidada ou o sono, mas complementa-os de forma única, atuando exatamente onde estes não chegam.
A primeira coisa a mudar é tratá-la como saúde e não como luxo. O resto vem com a prática.



