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Autocuidado: não é luxo, é saúde

  • Foto do escritor: Mánela Cinco das Três®
    Mánela Cinco das Três®
  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Sobre a diferença entre cuidar de si por vaidade e cuidar de si por inteireza

Durante muito tempo, em Portugal e não só, cuidar de si esteve envolto numa espécie de estigma silencioso. Dizia-se, entre o sério e o brincalhão, que quem se dava ao trabalho de uma rotina de cuidados, de um ritual matinal, de uma ida ao spa ou de uma tarde só para si era uma pessoa vaidosa, privilegiada ou talvez um pouco egoísta. Como se o tempo passado consigo próprio fosse tempo retirado ao resto: à família, ao trabalho, às verdadeiras prioridades.


Hoje, porém, a ciência, a psicologia e a experiência clínica contam uma história diferente. Talvez já seja tempo de a ouvirmos com atenção.


O autocuidado não é o oposto de cuidar dos outros


É, de facto, a sua condição. Quem vive permanentemente exausto, quem não descansa, quem não dá ao corpo aquilo de que ele precisa para se recompor, não cuida bem de si nem dos outros. O autocuidado não é um acréscimo à vida adulta responsável, mas sim uma das suas bases.


A Organização Mundial de Saúde reconheceu-o formalmente, em documentos recentes, como um pilar da saúde pública. Não por coincidência nem por modismo. As evidências acumuladas sobre o sono, o stress crónico, a regulação emocional e a imunidade apontam todas para o mesmo: quando não são cuidados, o corpo e a mente adoecem.



A diferença entre cuidar e mimar


No entanto, convém distinguir. O autocuidado não é o mesmo que indulgência. Não se trata de consumo impulsivo, evasão ou fuga ao desconforto necessário da vida. Pelo contrário, é uma prática disciplinada, regular e simples.


É beber água suficiente. É deitar-se a uma hora razoável. É mover o corpo. É comer com atenção. É marcar consulta com o médico quando é necessário. É dizer "não" quando é necessário. É reservar tempo, mesmo que pouco, para aquilo que nos dá sentido. É também e aqui entra a estética, sem falsas modéstias,cuidar da pele, do cabelo e da forma como nos apresentamos ao mundo.

Nada disto é luxo. Tudo isto é manutenção.


Pequenos hábitos, grandes diferenças


Um dos erros mais comuns é confundir autocuidado com grandes gestos ocasionais. Um fim de semana num retiro. A ida à manicura uma vez por mês. A ida ao cabeleireiro antes do casamento. Estes gestos têm o seu valor, mas não substituem o que é verdadeiramente transformador: o hábito diário e sustentado no tempo.


São os cinco minutos de rotina facial ao acordar. É a respiração consciente antes de uma reunião difícil. É o passeio de vinte minutos no final do dia. É beber um copo de água antes do pequeno-almoço. É dormir com a pele limpa e hidratada. É a decisão, aparentemente banal, de não levar o telemóvel para a cama.


Tomados isoladamente, nenhum destes gestos parece mudar seja o que for. Repetidos durante anos, mudam quase tudo.



O papel do cuidado profissional


Dito isto, há momentos em que o autocuidado pessoal precisa de ser complementado com algo que não se consegue fazer em casa. Uma limpeza de pele profunda, uma massagem terapêutica, um tratamento que exija mãos treinadas, um espaço que exija silêncio...


É aqui que entra o que a Mánela tem vindo a chamar de "extensão do toucador": um espaço profissional onde se cuida daquilo que o gesto caseiro não alcança. Não como luxo. Mas sim como um complemento natural de uma prática de saúde que começa em casa.


Uma prática que se cultiva


O autocuidado, como qualquer outro hábito, exige paciência para ser cultivado. Nem sempre é fácil nem imediatamente recompensador. No entanto, é seguramente um dos investimentos mais silenciosos e rentáveis que se pode fazer na própria vida e na vida daqueles com quem convivemos.


Trata-se de cuidar de si, todos os dias, em pequenas doses. Talvez seja este o gesto mais adulto e generoso que alguém pode fazer.

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