Quando o mau tempo tem nome
- Mánela Cinco das Três®

- há 1 dia
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Durante muitos anos, os dias de chuva eram apenas isso. Chovia, ventava, as pessoas queixavam-se um pouco e a vida seguia o seu curso. Hoje em dia, as tempestades têm nome próprio, aparecem nos avisos oficiais, nas notícias e nas conversas do dia a dia. E quando o tempo ganha um nome, há uma coisa que convém lembrar desde logo: não se trata apenas de chuva.
Quando o tempo começou a ter nome
Durante décadas, sobretudo no oceano Atlântico, as tempestades e furacões receberam exclusivamente nomes femininos. Esta decisão não tinha qualquer base científica. Tratava-se de uma prática herdada dos contextos militares e meteorológicos do século XX, em que se acreditava que os nomes femininos eram mais fáceis de memorizar e distinguir em comunicações rápidas.
Havia também um peso cultural evidente: o mar era frequentemente tratado no feminino — imprevisível, intenso e capaz de mudar de humor sem aviso prévio. Uma leitura simbólica, não científica.
Com a evolução do pensamento social e científico, percebeu-se que esta prática não fazia sentido. A partir do final do século XX, os sistemas meteorológicos internacionais começaram a usar listas pré-definidas de nomes femininos e masculinos, organizados e utilizados de forma rotativa.
Atualmente, os nomes são escolhidos antes da época das tempestades, de forma coordenada entre vários países. Um fenómeno só recebe um nome quando existe um potencial real para causar um impacto significativo. Não há improvisos nem dramatização.

O mito: "As tempestades com nomes femininos são as piores".
Esta ideia ganhou visibilidade após a publicação, em 2014, de um estudo académico realizado por investigadores universitários norte-americanos. O estudo em questão analisou dados históricos de furacões nos Estados Unidos da América e sugeriu uma possível associação entre tempestades com nomes femininos e um número mais elevado de vítimas.
No entanto, é importante esclarecer um ponto essencial: o estudo não foi conduzido por meteorologistas, mas sim por investigadores das áreas da psicologia e do comportamento do consumidor. O seu objetivo não era avaliar a força física das tempestades, mas sim compreender como a perceção humana pode influenciar as reações ao risco.
A investigação não demonstrou que o nome de uma tempestade altere a sua intensidade, perigosidade ou características meteorológicas. Pelo contrário, esta interpretação foi amplamente contestada pela comunidade científica, que salientou limitações metodológicas e a ausência de prova de causalidade.
Atualmente, há um consenso claro: o nome atribuído a uma tempestade não tem qualquer impacto na sua força ou nos seus efeitos reais. O risco reside na forma como as pessoas interpretam os avisos e reagem à informação disponível.
Em suma, as tempestades não são mais perigosas por terem nomes femininos ou masculinos.
São perigosas quando são subestimadas.

Porque é que isto importa, hoje, em Portugal?
Os fenómenos meteorológicos extremos têm-se tornado mais frequentes e intensos. Em Portugal, têm-se registado:
Chuvas intensas concentradas em curtos períodos;
Ventos fortes e irregulares;
Cheias rápidas em zonas urbanas.
Impactos diretos na mobilidade, na rotina e no bem-estar.
Neste contexto, uma tempestade com nome não é uma curiosidade nem um detalhe mediático. Trata-se de um instrumento de comunicação pública, criado para facilitar a compreensão do risco e promover comportamentos mais seguros.

O que fazer quando uma tempestade tem nome?
Sem alarmismos, mas com bom senso:
Acompanhar apenas fontes oficiais de informação.
Evitar deslocações desnecessárias;
Proteger janelas, varandas e objetos soltos;
Redobrar os cuidados com crianças, idosos e animais.
E, se possível, aceitar o convite implícito do dia: abrandar. Fique em casa. Não desafie o tempo só para provar um ponto. O autocuidado também passa por saber quando não é dia para sair.
Em poucas palavras
As tempestades não são mais perigosas por terem nomes femininos.
São perigosas quando são subestimadas.
Dar-lhes um nome não serve para dramatizar, mas sim para alertar.
Num mundo cada vez mais imprevisível, estar informado continua a ser uma das formas mais simples e eficazes de prevenção.
Porque, afinal de contas,
Não se trata apenas de chuva.

Uma nota final da equipa Mánela Cinco das Três®
Nos dias em que o tempo é escasso, lembre-se de algo simples: proteger-se também é uma forma de cuidar de si.
Informe-se, respeite os avisos, abrande quando necessário e cuide de si e dos seus.
O mundo pode esperar.
A sua segurança não pode esperar.
Equipa Mánela Cinco das Três®




