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Mudança de hora: um hábito antigo que ainda faz sentido?

  • Foto do escritor: Mánela Cinco das Três®
    Mánela Cinco das Três®
  • 21 de mar.
  • 3 min de leitura

A mudança de hora é uma daquelas tradições que todos conhecem, mas que poucos questionam verdadeiramente. Duas vezes por ano, lá vamos nós: ou dormimos uma hora a menos, ou ganhamos uma — e ficamos sempre com a sensação de que o nosso corpo não foi consultado.


Em Portugal, tal como na maior parte da Europa, esta prática continua em vigor. Mas será que ainda faz sentido? Ou será que estamos apenas a manter um hábito que já não acompanha a forma como vivemos atualmente?


Vamos por partes.


Afinal, o que é a mudança de hora?


Em termos simples, a mudança de hora consiste em adiantar os relógios uma hora na primavera (horário de verão) e atrasá-los no outono (horário de inverno).


Na prática, isto significa que, no verão, o sol "fica acordado" até mais tarde, permitindo-nos aproveitar melhor o final do dia. Já no inverno, o horário está mais alinhado com o nascer do sol.


Em Portugal, este ajuste ocorre sempre no último domingo de março e no último domingo de outubro — datas que muitos só recordam quando o telemóvel muda automaticamente... e o relógio do carro fica esquecido.


De onde veio esta ideia?


A lógica por trás da mudança de hora é antiga e bastante pragmática.


Durante a Primeira Guerra Mundial, em 1916, a Alemanha foi o primeiro país a adotar esta medida com um objetivo claro: poupar energia. Menos luz artificial significava menos consumo de carvão, essencial para o esforço de guerra.


Portugal aderiu no mesmo ano, seguindo a tendência europeia. Desde então, e apesar de alguns ajustes e interrupções, a prática ficou quase como um hábito difícil de abandonar.



Faz mesmo diferença?


É aqui que o tema se torna interessante.


Durante muito tempo acreditou-se que a mudança de hora permitia poupar energia. Embora inicialmente tenha sido concebida para esse efeito, o impacto real desta medida é hoje amplamente discutido. Em certos contextos, isso era verdade. Atualmente, no entanto, com novos hábitos, tecnologia mais eficiente e um consumo digital mais elevado, esse impacto já não é assim tão evidente.


Por outro lado, há quem valorize, e muito, os fins de tarde mais longos no verão. Mais tempo para passear, jantar fora ou, simplesmente, para não sentir que o dia "acabou cedo demais".


E o outro lado da questão?


Nem tudo são vantagens.


A alteração do horário, mesmo que aparentemente pequena, pode afetar o nosso ritmo biológico. Há quem sinta mais cansaço, tenha dificuldade em adormecer e até se mostre mais irritadiço nos dias seguintes à mudança. Os efeitos são reais, mas geralmente temporários.


Crianças, idosos e pessoas com rotinas mais rígidas tendem a sentir mais intensamente este impacto. E, sejamos honestos, há sempre aquele dia em que ninguém sabe bem "em que hora está".


E na Europa, o que está a acontecer?


Nos últimos anos, a União Europeia começou a questionar seriamente esta prática.


Em 2018, uma consulta pública revelou que a maioria dos cidadãos era contra a alteração da hora. No ano seguinte, foi aprovada uma proposta para pôr termo ao sistema de mudança de hora, prevendo-se que cada país pudesse optar por manter permanentemente o horário de verão ou o de inverno.


No entanto, esta medida nunca chegou a ser implementada. A decisão continua dependente de um acordo entre os Estados-membros, que enfrentam dificuldades em coordenar uma solução comum, sobretudo devido aos impactos nos transportes, no comércio e no funcionamento do mercado interno.


Resultado? Para já, tudo continua exatamente como está e não há uma data concreta para a mudança.


E Portugal, o que deve fazer?


Esta é a grande questão.


Portugal segue o fuso horário de Greenwich, o que torna qualquer decisão particularmente sensível. A opção por um horário permanente, seja de verão ou de inverno, terá um impacto direto na forma como começamos e terminamos os nossos dias.


Preferimos mais luz de manhã ou mais luz ao final da tarde? Não há uma resposta certa, mas sim prioridades diferentes.


Então... vale a pena continuar?


A verdade é simples: a mudança de hora fez sentido numa determinada época. Hoje em dia, o mundo mudou e talvez esteja na altura de reavaliar se esta prática continua a estar alinhada com a nossa realidade.


Até lá, vamos continuar a ajustar os relógios e a discutir o tema duas vezes por ano, como manda a tradição.



Na Mánela Cinco das Três®, o tempo não se mede em horas, sente-se.


Estamos sempre prontos para o receber, no seu tempo, com o cuidado e a excelência que merece, seja verão ou inverno.

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