25 de Abril: a liberdade que também mudou a forma de cuidar
- Mánela Cinco das Três®

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Sobre o dia em que Portugal escolheu outro caminho e sobre tudo o que, desde então, passou a ser possível.
Há datas que não se podem ignorar. Cinquenta e dois anos depois, o 25 de Abril continua a ser um marco que vai muito além da história política para todos os portugueses: reconfigurou a vida quotidiana, os gestos mais banais e, ainda que menos se fale disso, o modo como as pessoas cuidam de si próprias e umas das outras.
O que foi o 25 de Abril
A 25 de abril de 1974, nas primeiras horas da manhã, um grupo de oficiais das Forças Armadas Portuguesas, reunidos no Movimento das Forças Armadas, derrubou de forma praticamente incruenta o regime autoritário do Estado Novo, que governava o país desde 1933. Praticamente, porque nesse dia houve ainda quatro vítimas civis, atingidas por tiros disparados pela polícia política junto à sede da PIDE/DGS, no Chiado, uma nota histórica que se deve sempre recordar.
A revolução ficou conhecida como a "Revolução dos Cravos", nome que lhe foi dado pelos cravos vermelhos que a população colocou nos canos das espingardas dos militares, em sinal de que a revolta não envolveria violência. A revolução pôs fim a décadas de ditadura, de censura, de polícia política, e abriu o caminho ao fim das guerras coloniais em África, que viriam a terminar nos meses seguintes, com os processos de independência que decorreram ao longo de 1974 e 1975.
Um ano depois, a 25 de abril de 1975, Portugal elegeu livremente, pela primeira vez, uma assembleia constituinte e iniciou o caminho que o conduziu à democracia atual, com eleições regulares, partidos políticos, liberdade de imprensa, direito de associação e uma constituição que consagrou as liberdades fundamentais.
Porque é importante?

Não se trata apenas de um episódio histórico. É o dia em que Portugal deixou de ser um país fechado sobre si mesmo, sob vigilância constante e silenciado, para se tornar um país livre, com todas as dificuldades, imperfeições e aprendizagens que uma democracia sempre acarreta.
Este dia é importante porque devolveu às pessoas aquilo que lhes havia sido retirado: a possibilidade de pensar, escrever, votar, viajar, estudar, trabalhar, amar e viver em liberdade. É igualmente importante porque abriu Portugal ao mundo, à Europa, à cultura internacional, ao mercado, às ideias, aos costumes e à ciência.
E é importante sobretudo porque transformou o papel da mulher na sociedade portuguesa.
Antes de 1974, a lei portuguesa consagrava o marido como chefe de família, e a mulher casada estava, em várias matérias, submetida à sua autoridade, desde a obtenção de passaporte a decisões patrimoniais, passando por certas atividades profissionais. Esse quadro jurídico só viria a ser profundamente alterado com a Constituição de 1976 e com a reforma do Código Civil de 1977, já em democracia, até chegarmos à igualdade que hoje parece óbvia, mas que não o foi sempre.
A liberdade e o cuidado de si
É aqui que a história pública se cruza, de forma discreta, com a história mais íntima daqueles que trabalham no setor do bem-estar e da beleza, como nós.
Antes do 25 de Abril, Portugal era um país com pouca tradição de cuidados estéticos profissionais para além dos cabeleireiros de bairro. Os produtos cosméticos estrangeiros eram escassos, caros e, muitas vezes, difíceis de importar. O conceito de spa, de tratamento profissional da pele e de massagem como prática de bem-estar era praticamente inexistente fora dos grandes hotéis de Lisboa, do Porto e das termas históricas.

Com a democracia, surgiram simultaneamente a abertura dos mercados, a entrada das grandes marcas internacionais, a integração na Comunidade Económica Europeia em 1986, o aumento do poder de compra, a emancipação das mulheres no mercado de trabalho e uma nova relação dos portugueses com o próprio corpo.
Cuidar de si deixou de ser um gesto reservado à elite ou a ocasiões festivas. Tornou-se, para cada vez mais pessoas, um direito quotidiano, uma prática de saúde e uma forma de bem-estar pessoal. O florescimento dos institutos de beleza, dos spas, da cosmética especializada, da formação profissional nesta área e das marcas portuguesas que hoje competem com as melhores do mundo só foi possível porque, a 25 de abril de 1974, este país mudou.
Em jeito de homenagem
Na Mánela, fazemos todos os dias aquilo que, há pouco mais de meio século, era ainda um gesto raro: recebemos quem nos procura para cuidar de si com tempo, atenção e método. É um privilégio e é também uma herança.
Por tudo isto, neste 25 de Abril, juntamo-nos ao país inteiro no gesto mais simples que a história nos ensinou: agradecer a quem abriu o caminho, e continuar, com responsabilidade, aquilo que desde então se tornou possível.
Viva o 25 de Abril. Viva a liberdade. Viva sempre.



